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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Inocência

Encontrei então meus sonhos guardados ,
na caixinha de música de minha infância.
A bailarina que dança de acordo com o toque
de meus dedinhos inocentes de criança.
E deseja dançar como ela,
e encontrar então o seu par.
Jogue uma moeda na fonte,
faça um pedido do tamanho de seus segredos.
Um beijo.
Em um tempo em que eu ainda não tinha mascaras,
nem me escondia atrás dos meus medos.
Amarelinha, 1 2 3 4, cheguei ao meu céu.
Tão delicada menina.
Por favor, não apaguem as luzes,
ainda tenho medo de escuro e da solidão que o acompanha.
Pegue na minha mão pequenina,
vamos correr pra qualquer lugar e ver os desenhos das nuvens,
contar estrelas com as pontas dos dedos.
Pular, gritar, rodar... até cair e ver aonde perdi novamente,
a caixinha de música da minha infância.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Livres?

Hoje, estou em outro mundo.
Bem mais bonito e mágico no qual me encontro externamente.
Hoje me vi em uma rua sem saída, pisando em tijolos sem vida,
e vendo apenas prédios sem cores.
Hoje me peguei no mercado à uma da tarde olhando as prateleiras sem saber realmente o que estava procurando.
Olhando devagar para os produtos sem prestar atenção no que estava vendo, como se realmente não habitasse meu corpo, e a realidade que estou procurando estivesse apenas dentro de mim. Uma realidade inventada talvez.
Hoje percebi que não somos livres suficiente.
Somos cumplices do dinheiro, nessecitamos da comida, da roupa, do governo.
Dos cadernos e canetas pra expressar as mentes brilhantes.
Precisamos do ar pra respirar, da lei da gravidade pra manter os pés no chão, e pra criar raizes. Sem oportunidade nenhuma de sair e voar.
Precisamos do alcool pra aceitar a realidade.
Do tempo pra sentir saudade.
E da identidade pra sermos pessoas "livres", entre aspas mesmo.
Da água pra permenecer vivos.
Dependemos da idade, dos pais, da informação, da arte, da poesia, dos amigos pra sermos felizes.
E finalmente precisamos do amor, pra se sentirmos completos.

(Calini Detoni)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O contrario de amor

O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais do cadastro.Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Minha mãe não me põe rédeas, mas isso não significa que ela não ligue pra mim. Isso quer dizer, trocando em miúdos, que ela deixar eu fazer o que eu quiser, sair com quem eu quiser e voltar a hora que eu quiser; desde que fale prá ela onde eu tava e com quem tava. Por causa desse tipo de atitude da mamãe, de me dar liberdade e demonstrar extrema confiança em mim, é que somos muito mais amigas que mãe e filha. Ok, ela também tem seus momentos de ser uma mãe extremamente chata e irritante, mas ninguém é perfeito. Então, por causa dessa amizade e confiança que a gente tem, é normal que mamãe saiba todos os meus rolos e namoricos. Toda vez que eu falo pra ela que um cara me chamou pra ir em algum lugar, ela faz um puta interrogatório: ele fuma? ele bebe? ele trabalha em que? ele usa drogas?ele tem carro? você tem certeza que ele não mexe com drogas, né?
Essa semana eu descrevi pra ela a pessoa que eu iria sair(tirando sarro é claro só pra ver o que ela falaria): 40 anos, gente boa, cheio de tatuagens, bombado,cheio de esperma, fodíssimo e tambem é paraplégico.
E, dessa vez,como se fosse verdade minha mamãe se susteve em uma única pergunta:
- Mas pan... ele funciona? Hahaha, eu amo tanto a minha mãe!


Número de crises durante a semana, devido à aproximação da apresentação dos trabalhos: 175,9
Trabalhos apresentados: 2
Trabalhos valendo nota: 1
Aulas sem prestar atenção: 2
Livros lidos: 157 paginas de "Rota 66"
Livros lidos que não caem em nenhuma prova: 45 paginas de "Rilke - Em cartas a um jovem poeta
Número de pesquisas no wikipedia essa semana: 1
Folias do fim de semana: 3
Crises com o cabelo: 7
Pensamentos positivos em relação à vida: 97,8
Carros batidos por estarem falando ao telefone comigo: 1
Tempo em que tentei tira uma musica no violão: 0
SALDO: semana nada produtiva.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

E eu que fui dois loucos uma vez, três vezes vivo a minha insensatez.

Os meus quadros, meus mundos, as nuvens e os meus universosé acima de qualquer cerveja, do que qualquer vinho, ou alucenógeno.
O que rola em baixo dos cobertores, o sentimento de cada beijo, gestos e calor, nem quem sente é capaz de entender.
O brilho, as cores, o olhar, a vida que você consegue sentir jamaisserá tudo que tentei te explicar. A intensidade das formas, do lapis neste papel, jamais expressaram um milimetro de tudo que quero dizer.
É grande de mais!
As almofadas macias tocandas pelo calor de seu corpo fingindo frio me trouxeram VIDA.
Mesmo você fingindo não ter nenhuma. Mesmo fingindo se preocupar comos milhares de problemas da vida, eu não acredito em você. Não acredito que suas lagrimas possam brotar das simples matematica que se resolve confome os tic-tacs do relógio.
Maldita mania da minha alma, que me deixa voar tão profundo.
Ao som da luz inexistente.
Apenas a sombra do que relmente sou.
Pessoas testemunhando o fim e eu apenas querendo uma pitada de vida.
Tenho a sensação de ter vivido uma vida inteira em uma semana.
Naveguei em tantos mares, sonhos e poesia. Mas porque insisto em morrer na praia?
Tento invadir seu mundo tão escuro e frio, um preto e branco no qual você habita constantemente.
Se nega a enxergar a beleza das formas, o azul, o vermelho, o amarelo, e as rosas que te trouxeste.
Não acertei a mágia que mirei ao alvo,
Não acertei minha pequenas flexas de amor e paixão.
E mais uma vez se tranformou em vazio, em nada, se perdeu no ar.
Preto e branco nesse teu mundo com placas de "afaste-se".
E aqui um universo tão belo.
Só quem é livre é capaz de ver tamanha beleza.
E quem chegou perto, só não foi livre porque não quis.

(Calini Detoni)

"Se o proximo está longe, então o que é distante vaga entre as estrelas na imensidão."

(Rilke - Em Cartas a um jovem poeta)

quinta-feira, 19 de junho de 2008

10 motivos pelos quais eu não me pegaria.

10 motivos pelos quais eu nao me pegaria.

1- Sou meio bipolar. Na cara dura. Uma hora eu posso estar conversando calmamente com você, e, no próximo instante, se retirar e sair de perto, sem nenhuma explicação, ou ofensa.
2- Acordo com o rosto inchado. Sempre. Por mais que acorde cedo, ou tarde, meu nariz fica parecendouma batatinha. E eu fico com o olho pequeno, bem pequeno. Nariz batata + olho minúsculo = Combinação estranha de um elfo com um duende.
3- Não sou corajosa. Não falo tudo que deveria falar, ao menos, não com as pessoas certas.
4- Meu cabelo é nojento. Sério. Além de ele ser meio arrepiado da metade pro fim, as pontas não são lisas, nem enroladas. Aí fica algo assim, liso até metade e sei la no fim.
5- Eu não sei ofender as pessoas. Por mais que eu tente usar as palavras mais duras do meu vocabulário, ninguém fica ofendido ou algo assim. Todo mundo parece me olhar com aquela cara de: ‘Ahhh que fofinha, ela está tentando ser grossa!”.
6- Faço coisas nojentas, do tipo, brincar com a comida no prato (mudar a disposição do alimento faz as pessoas pensarem que você realmente comeu) e beber demais.
7- Aliás, esse é mais um motivo. Não sei beber. Da última vez, misturei de tudo, vinho, vodka, cerveja e estava quase caindo e vomitando.
8- Eu trabalho. E nem uma menina patricinha-bonitinha-engomadinha trabalha. E é óbvio que, se eu fosse homem, iria querer pegar uma patricinha. Elas são cheirosas, bonitas, gostosas, e burras.Nunca vão discordar do que eu digo, a não ser que eu queira usar a camiseta azul com a calça cáqui. E, considerando os meus níveis de testosterona (tenho algo a dizer sobre isso no próximo post) não precisaria de mais nada.
9- Meu nome é feio. Pô, com tanto nome bonito por aí porque justamente a minha mãe resolveu me dar o nome de Calini? Parece algo tailandês ou sei lá.
10- Não tenho peitão. E, pra falar a verdade, não que eu ache bonito ter peitão, mas se eu tivesse um pouco mais, não reclamaria. Porque o delas balança e o meu não?

terça-feira, 17 de junho de 2008

PAN!

Dentro de minha mente conturbada onde moram várias Pans (a que não dorme, a mimada, a durona, a blasé, a sensível e por aí afora) dei por falta de uma delas: a que se diverte.
Eu quero a Pan que ri. Quero a Pan que coloca a cabeça no travesseiro e dorme sem pensar no dia de amanhã. Quero a Pan que bebe e fala besteiras inofensivas para desconhecidos legais. Quero a Pan que beija sem sentimento, e não sente culpa por isso. Quero a Pan que carrega mochila nas costas e não problemas. Quero a Panque não tem medo de se fantasiar de ridículo, porque se fantasiar de normal é ainda mais ridículo. Quero a Pan que tem aquela risada escandalosa,vergonhosa, alta e incontrolável. Quero a Pan que toma banho de chuva. Quero a Pan que tem tempo de fazer ligações para os amigos. Quero a Pan que se critica menos. Quero a Pan que escreve texto milhares de vezes mais bobos e mais alegres do que esse.Quero tanto essa Pan que eu perdi por aí, que acho que as outras Pans dentro de mim, enciumadas, resolveram se vingar. Desconfio que foram elas (as outras Pans) que fizeram um motim e seqüestraram a Pan que eu queria agora. Talvez, até a tenham matado... Será? Uma das Pans é bem violenta e impulsiva, mas acho que a Pan politicamente correta não deixaria ela cometer esse crime. Mas uma coisa é fato: acontece uma rebelião dentro da minha alma exatamente agora. Com direito a gritos, tiroteio, reféns e quem sabe, se no final eu der sorte, uma fuga.